sábado, 8 de março de 2014

DIA INTERNACIONAL DA MULHER (Em sua homenagem,reeditamos textos das nossas colaboradoras)

ADEGANHA - CARDANHA : O PLANALTO DAS LENDAS, Virgínia do Carmo

Existe um lugar, algures no concelho de Moncorvo, que persiste em interromper os montes de fragas e pedras, entremeados por terra árida e ingrata ao trabalho dos homens, para se afirmar como um oásis de história e de lendas; um lugar isolado por caminhos deteriorados e uma população cada vez mais escassa e envelhecida, onde se respira passado e é fácil esquecer o presente.
Situa-se na fronteira do concelho de Moncorvo com o de Alfândega da Fé e tem muitos séculos de História para contar. O Planalto Adeganha - Cardanha guarda lendas e ruínas, algumas delas imperceptíveis para os olhares dos comuns mortais.
É o caso da ponte de cantaria datada do século XVI, classificada como monumento nacional.
Derruída,vista das fragadas 
Esta ponte une as duas margens do rio Sabor, num lugar onde já existiu uma vila, a Derruída ou Vila Velha de Santa Cruz. Esta vila medieval, com carta de foral de 1225, encontra-se completamente abandonada e muito dificilmente consegue, ainda, subsistir ao avanço das fragas e da erosão.
A alguns metros ergue-se a capela da Senhora da Candoeiro, outra povoação que terá sido a capital de uma tribo celta, a tribo Baniense. Ainda são visíveis alguns vestígios da Capela de S. Mamede, que durante a ocupação dos mouros lhes terá servido de mesquita.
Apesar da degradação dos acessos e dos próprios monumentos, este planalto não deixa de ser um oásis de História no meio de um deserto de terra.

A Lenda das Três Marias

Na origem do nome da povoação de Adeganha diz a tradição estar a Lenda das Três Marias.
Esta lenda refere-se a três irmãs pastoras, que guardavam gado, entretendo-se, nas horas vagas, a jogar às cartas. Mas uma das irmãs acabava sempre por ganhar. Quando as outras duas descobriram que ela fazia batota, combinaram entre si queimá-la viva.
Portal da Igreja de Santiago Maior
Um dia, enquanto acompanhavam os rebanhos pelos campos no Frei-Vivas, lugar muito afastado da aldeia, acenderam uma fogueira deitaram-na para lá e com os dedos em figa iam dizendo “Arde e ganha! Arde e ganha!”
E daqui terá surgido o nome de Adeganha.
Esta lenda está materializada numa figura que podemos ver sobre o Portal da Igreja de Santiago Maior, Matriz da Adeganha.

Virgínia do Carmo
Publicado no Semanário Transmontano.
Postado a 26/06/11

3 comentários:

  1. Tras os Montes é uma região de lendas e quando são bem contadas dá gosto .Espero pela 2ªparte.Parabéns à autora.

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  2. Boa tarde, Virgínia:

    Muito eu gosto de ler o que a Virgínia escreve.
    Tal como admiro as suas iniciativas e tantas ideias novas e frescas que põe em prática.

    Pelo que diz o comentador anterior, esta lenda tem uma 2ª parte. Também fico à espera.

    Bj.
    Júlia

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  3. Luis Cardoso escreveu:A Vila Velha de Santa Cruz foi, na Idade Média, sede de um amplo concelho, hoje incluído nos concelhos de Torre de Moncorvo, Vila Flor, Alfândega da Fé e Carrazeda. Erguida no topo de uma colina entre o rio Sabor e a ribeira de Vilariça, estava protegida por muralhas que em certos pontos tem vários metros de altura. No interior do perímetro amuralhado, nalguns locais ainda com vários metros de altura, observam-se arruamentos, construções diversas e algumas paredes em ruína. No topo do povoado são visíveis diversas estruturas e uma parede alta, que poderão pertencer à capela. Vêem-se também duas sepulturas escavadas na rocha.

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